Preço baixo do petróleo ameaça refinarias
21/11/2008
O preço do barril de petróleo intermediário do Texas (WTI, leve), de
referência nos Estados Unidos, caiu ontem 6,9% e ficou abaixo de US$
50, devido à queda da demanda. A redução de 65% desde julho do ano
passado, quando o barril chegou a superar os US$ 146, deverá prejudicar
os investimentos da Petrobras, inclusive em refinarias e na camada
pré-sal, se mantiver o patamar tão baixo, de acordo com especialistas
entrevistados pelo
JB.
Rafael Schechtman, diretor do
Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), acredita que a estatal
terá de fazer cortes profundos nos investimentos com a diminuição da
receita nos próximos meses.
? A companhia deverá adiar
os planos sobre as cinco refinarias que seriam construídas nos próximos
anos e cujos custos chegam a US$ 40 bilhões ? prevê. ? A Petrobras
deverá se concentrar mais na área de exploração e produção. Os
investimentos da camada pré-sal não deverão sofrer muitos cortes, pois
o grosso deverá acontecer em 2012.
De acordo com ele, assim como as outras bolhas estouraram, chegou a vez da bolha do petróleo.
?
No passado, o valor freava o crescimento da economia mundial. No
presente, não influenciou o movimento da economia e a demanda
continuava aquecida. A tendência do preço petróleo era desesperadora se
não houvesse o estouro da bolha ? contou.
David Zylbersztain,
especialista em energia, disse que não tem dúvidas que o cenário atual
vai influenciar nos projetos da estatal.
? É inevitável. Os
investimentos são baseados nas receitas. Seria passar dos limites do
bom senso dizer que a companhia não será afetada, um absurdo total.
Inclusive a camada pré-sal ? ressaltou.
Com relação à questão
geopolítica, Zylbersztain disse que os alguns países sofrerão muito,
pois suas receitas dependem do petróleo.
? Hugo Chávez,
presidente da Venezuela, vai ter de parar de beber champanhe e se
contentar com guaraná ? brincou, ao acrescentar que posições políticas
poderão mudar com a crise.
Zylbersztain vê solidez no
programa brasileiro de etanol e acredita que é muito pouco provável que
seja afetado. Mas ressalta que a escassez de crédito será um problema,
ao acrescentar que tudo dependerá de como o mundo vai se comportar.
Jean-Paul
Prates, analista e secretário estadual de Energia do Rio Grande do
Norte, já é mais otimista. Diz que se o barril se mantiver num patamar
de US$ 60 e US$ 70, a companhia não precisará fazer grandes cortes, mas
prevê a suspensão da construção de uma refinaria.
? Não precisá
ser um corte estrutural. Se deixarem de construir a refinaria do
Maranhão já dá para reorganizar os recursos ? comenta. ? As empresas de
petróleo estão ajustadas para lidar com grandes períodos de alta e
baixa do petróleo.
O especialista lembrou que em 1997, 1998, o
barril do óleo chegou a valer US$ 11, mas nos últimos 10 anos teve
elevação constante.
Jean-Paul ressalta ainda
que a refinaria do Rio Grande do Norte deverá ser uma prioridade da
companhia, pois já existe, e com apenas R$ 300 milhões é possível
dobrar a capacidade de produção diária. O plano é ver onde se gastará
menos.
A Petrobras não quis comentar o assunto. Por meio de nota,
na quarta-feira, informou que adiou a divulgação do plano de negócios
para o final do ano, em função da necessidade de concluir as análises
dos projetos, frente às novas condições conjunturais.
Fonte: JB Online