Obama defende uso das reservas de petróleo dos EUA
05/08/2008
O candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack
Obama, apresentou um novo plano para a questão energética no qual
defende a utilização das reservas de petróleo do país como forma de
baixar os preços dos combustíveis.
Obama, que até então era contrário ao uso das reservas,
defendeu que os EUA devem liberar 70 milhões de barris de petróleo de
suas reservas estratégicas para reduzir os preços a curto prazo.
Durante um discurso na cidade de Lansing, no Estado americano
de Michigan, Obama sugeriu ainda que o país libere as reservas
nacionais no Alasca.
Em junho, o candidato apresentou sua política energética e
afirmou que as reservas deveriam ficar intactas. A porta-voz da
campanha de Obama, Heather Zichal, afirmou que o democrata havia
reconsiderado a questão.
"Ele reconhece que os americanos estão sofrendo", afirmou a porta-voz.
A alta do preços dos combustíveis fez com que a questão
energética se tornasse um dos principais temas da campanha presidencial
americana. Para um eleitorado cujo estilo de vida se desenvolveu ao
redor da gasolina barata e energia abundante, a política energética dos
candidatos é um tema que ganha cada vez mais atenção dos eleitores.
Rivalidade
O apoio à utilização das reservas não é a primeira mudança de opinião de Obama com relação à questão energética.
No final de semana, ele declarou que poderia apoiar as
perfurações em águas profundas caso isso fosse necessário para
estabelecer uma política energética - posição a que se opunha no início
da campanha e que foi reforçada no discurso de segunda-feira no
Michigan.
O rival republicano, John McCain, também comentou a questão da
energia e expressou seu apoio à novas perfurações em alto-mar como
parte de um plano energético que inclui ainda energia nuclear e alívio
de impostos na produção de gás.
As novas propostas sobre a questão energética coincidiram com
um novo anúncio publicitário da campanha de Obama na qual o virtual
candidato democrata acusa o rival, John McCain, de estar subordinado a
companhias de petróleo.
A propaganda mostra McCain ao lado do atual presidente, George
W. Bush, enquanto um narrador afirma: "Depois de termos um presidente
que esteve no bolso das grandes companhias de petróleo, não podemos
mais ter um outro". O narrador segue dizendo que as grandes empresas
petrolíferas deram US 2 milhões para a camapnha do senador McCain.
O anúncio promove a proposta de Obama de dar um desconto de US$
1 mil (R$1,6 mil) no imposto de renda das famílias americanas,
financiado pela taxação dos lucros obtidos pelas petroleiras com o
eventual aumento do preço do barril de ptróleo.
O porta-voz da campanha de McCain, Tucker Bounds, criticou o
anúncio e afirmou que a propaganda não mencionou que em 2005, Obama
votou a favor de uma lei que previa benefícios fiscais às petroleiras.
Na época, McCain votou contra a proposta, que era apoiada pelo presidente Bush.
"O recente ataque de Barack Obama mostra que sua celebridade só
é comparada à sua hipocrisia", afirmou a declaração emitida pelo
porta-voz.
Desafio
Durante seu discurso, Obama afirmou ainda que "romper com o
nosso vício pelo petróleo é um dos grandes desafios que nossa geração
jamais irá enfrentar".
"Não vai precisar de nada mais do que uma completa transformação de nossa economia", disse o democrata.
A proposta de Obama prevê a liberação de petróleo leve existente
atualmente nos estoques americanos, que poderia mais tarde ser reposta
com petróleo bruto pesado.
O petróleo leve é mais fácil de ser convertido em combustível para os veículos e em outros produtos derivados.
O governo Bush é contra a abertura das reservas e afirma que
devem ser usada apenas em caso de extrema emergência. Em 2005, cerca de
10 mil barris foram liberados quando a passagem do furacão Katrina
causou a interrupção do fornecimento para as refinarias.
Fonte: BBC Brasil